Dúvidas sobre como escrever um artigo científico? O PPGCOM ensina o passo-a-passo

A construção de um artigo científico pode ser uma tarefa complexa, mas a prática da escrita e a rotina de estudos são posturas que facilitam esse processo. No mestrado acadêmico, elaborar artigos é uma das principais habilidades que precisam ser desenvolvidas ao longo da formação da pesquisadora e do pesquisador.

Seis passos para escrever um artigo científico de qualidade -
Reprodução: Google Imagens.

Pensando nisso, preparamos dicas que podem contribuir na escrita do artigo científico com foco na pesquisa empírica, ou seja, quando analisa um objeto concreto. Antes de começar, é importante consultar sua orientadora ou seu orientador para que possam conversar sobre a melhor forma de construir a pesquisa.

Caso você já saiba para qual periódico ou evento pretende submeter o artigo, verifique as normas e o template (se for disponibilizado) a fim de elaborar o trabalho de acordo com o que é solicitado. Além da adequação ao tema da chamada, alguns pontos relevantes para se observar são o limite de caracteres, palavras ou número de páginas, a formatação (espaçamento dos parágrafos e fonte) e o tamanho do arquivo (geralmente em Mb). Artigos com 50 mil caracteres (com espaço) ou 8 mil palavras equivalem a aproximadamente 25 páginas, por exemplo.

Tendo em vista o mínimo e o máximo de páginas, é recomendável dividir o artigo de acordo com o espaço que será dedicado a cada tópico do trabalho. Pensar essa divisão pode auxiliar a não ultrapassar o limite de páginas, ou mesmo para não escrever um texto com a estrutura em desarmonia. Vamos pensar em um artigo que deve ter entre 20 e 25 páginas (pg.) e fazermos a divisão:

Resumo e Introdução (2 pg.)
Referencial teórico (5-6 pg.)
Procedimentos metodológicos (1-2 pg.)
Análise dos dados (10-11 pg.)
Considerações finais (1-2 pg.)
Referências (1-2 pg.)

A divisão é um guia para o texto, mas está sempre sujeita a alterações no decorrer da elaboração do artigo. Dependendo dos dados analisados, algumas vezes a discussão requer mais espaço do que aquilo que foi programado, o que poderá exigir que outras partes do trabalho sejam diminuídas.

Após essas recomendações iniciais, vamos às dicas para cada parte da estrutura do artigo científico.

Resumo: o resumo precisa indicar que seu trabalho é claro o suficiente para ser compreensível em uma leitura rápida. Por isso, deve ser conciso e direto, explicitando o tema, objetivo, metodologia, recorte e principais resultados.

Palavras-chave: são três ou cinco termos que caracterizam sua pesquisa, elencados em ordem de importância. As palavras-chave podem ser separadas por ponto (.), ponto e vírgula (;) ou vírgula (,) dependendo das normas do periódico/evento que você vai submeter.

Introdução: é o apanhado geral do seu trabalho com a contextualização do tema, já tratando dos principais pontos que serão abordados ao longo dos tópicos subsequentes. É necessário incluir objetivo geral (e específicos, se houver), justificativa e metodologia de forma breve (método e/ou técnica utilizada, recorte etc.). Hipóteses não são obrigatórias, mas caso sejam formuladas é interessante que haja um embasamento. Em se tratando da justificativa, entre outros argumentos, você pode citar trabalhos de revisões ou levantamentos sobre o objeto, chamando atenção para as lacunas de pesquisas.

Referencial teórico: é a explanação dos principais conceitos relativos ao objeto de estudo. Produzir um referencial teórico pode ser uma atividade exaustiva, pois requer pesquisas bibliográficas e leituras que nem sempre serão todas citadas no texto. A efetiva elaboração do referencial costuma gerar dúvidas, de modo que não há uma única forma de construí-lo. Essa revisão vai depender do diálogo que você gostaria de estabelecer entre a literatura já produzida e seu tema/objeto. É importante lembrar que o referencial deve ser retomado na análise dos dados para embasar os achados da pesquisa. Uma dúvida frequente é sobre como encontrar os autores e as autoras que serão citados/as no trabalho. Faça uma busca sobre o tema/objeto em livros, repositórios de teses e dissertações, periódicos bem qualificados (Qualis A) e anais dos principais eventos da área (veja aqueles que possuem ISSN).

Uma dica importante é verificar a lista de referências dos trabalhos consultados para observar autores/as em comum, pois isso mostra que pesquisadores e pesquisadoras que se repetem provavelmente são fontes relevantes sobre o tema. Outra dica é buscar o Currículo Lattes dos autores e autoras que se destacam nas pesquisas sobre o tema/objeto que você tem interesse, para verificar quais as publicações mais recentes deles/as. Também é importante saber se as pessoas que estão sendo referenciadas são homens ou mulheres, para não citar o gênero erroneamente.

Essas dicas não dispensam a conversa com sua orientadora ou seu orientador para o desenvolvimento do referencial, especialmente no que diz respeito ao cuidado para não citar autores/as cujas discussões se confrontam. A exceção é quando seu trabalho tem o objetivo de apontar teorias divergentes de forma intencional.

Metodologia: uma das principais falhas verificadas na parte metodológica dos trabalhos é a falta de clareza quanto ao método e/ou técnica utilizada. Assim, a metodologia precisa indicar quais procedimentos foram seguidos na construção da sua pesquisa e na coleta dos dados, tendo em vista a melhor forma de cumprir aos objetivos do trabalho. Além disso, é importante explicitar se a abordagem é quantitativa, qualitativa ou quanti-quali, o corpus de análise e o recorte. Todos esses elementos são importantes para mostrar a validade da pesquisa, ou seja, deixar claro que foi adotada uma metodologia adequada para suprir os objetivos propostos.

Análise dos dados: é nessa parte que os dados serão apresentados e analisados. A forma como a análise será feita depende da metodologia utilizada e dos objetivos do trabalho. Entre os recursos que podem ser utilizados para facilitar a apresentação dos dados, destacam-se: quadros, tabelas, gráficos e figuras (imagem). Os quadros possuem as bordas fechadas e são próprios para a inserção de textos, enquanto as tabelas, com as bordas abertas, e gráficos devem conter números.

Lembre-se de verificar se o periódico/evento disponibiliza template com modelos padronizados de gráficos e tabelas. Caso não tenha essa exigência, é interessante utilizar um design que permita a legibilidade dos dados. Já o uso de figuras torna o arquivo mais pesado, por isso é preciso estar atenta/o ao limite permitido, normalmente em Megabyte (Mb). Todos esses recursos precisam estar acompanhados da descrição, fonte e ano.

Considerações finais: é o momento de retomar os objetivos, relacionando-os aos resultados obtidos na análise dos dados. Para quem formulou hipóteses, é necessário indicar se elas foram confirmadas ou refutadas. As considerações finais podem responder às questões: quais os achados da pesquisa? Os resultados dialogam com outros trabalhos ou se distanciam? Qual a contribuição para a área? Além disso, apontar os possíveis desdobramentos da pesquisa mostra que há outros pontos para explorar a partir do trabalho.

Referências: após construir o trabalho, é necessário organizar todas as referências que foram citadas diretas ou indiretamente ao longo do texto. Via de regra, a ABNT precisa ser consultada, mas alguns periódicos/eventos informam as normas específicas. Uma dica importante é não deixar para inserir as referências apenas depois de finalizar o artigo, mas ir adicionando-as no decorrer da escrita. É essencial conferir todas as referências e não incluir aquelas que não aparecem no texto. Não há um número ideal de referências para um bom artigo, mas se já existe uma vasta literatura sobre o tema/objeto se recomenda explorar ao máximo o que se tem publicado.

Agora que você está por dentro de todas essas dicas é hora de começar a redigir seu artigo. Aproveite e visite as listas de chamadas abertas em periódicos e eventos que mantemos sempre atualizadas aqui no site do PPGCOM.

Boa escrita!

Por Nayara Sousa, Frida Medeiros e Luana Fonseca

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